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Tem uma pasta da CPI do Banestado na Casa dos Horrores com o nome de 100 clientes do Delta Bank.Vejam o que descobri hoje na internet.


Correio Braziliense publica matéria que revela novas informações CPI do Banestado. Senador Ney Suassuna, do PMDB-PB, movimentou no período de 1998 a 2003 pelo menos cerca de US$ 3 milhões em sua conta particular Key West (nome de uma localidade na Flórida) no Delta Bank de Miami.

Leia a matéria na íntegra:

'Os dólares ocultos do senador'

Abandonada numa sala secreta no subsolo do Senado, uma pasta sanfonada marrom guarda um segredo de Estado que o relator e representante do governo na CPI do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), esforça-se desde março para esconder. Entregue a assessoria do Mentor pelo procurador distrital de Nova York, Robert Morgenthal, a pasta contém cerca de cem documentos que comprovam que o vice-líder do governo no Congresso, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), movimentou no período de 1998 a 2003 pelo menos cerca de US$ 3 milhões em sua conta particular Key West (nome de uma localidade na Flórida) no Delta Bank de Miami.

O simples fato de manter conta no exterior não é crime. No entanto, a papelada da pasta marrom mostra que toda a dinheirama do senador seguiu para o Delta Bank por intermédio de uma rede clandestina de doleiros brasileiros e uruguaios que tinham contas na agência do Banestado de Nova York. De acordo com a chamada Lei do Colarinho Branco, constitui crime contra o sistema financeiro remeter dinheiro ao exterior por meio de doleiros sem autorização do Banco Central.

Colarinho branco


Aprovada pelo Congresso em 1986, a lei também considera crime manter contas no exterior que não estão declaradas à Receita Federal. Atual presidente da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Suassuna pode ainda responder processo por crime eleitoral se não tiver declarado a conta no Delta Bank ao Tribunal Regional e Eleitoral (TRE) da Paraíba quando se candidatou em 1999 a uma vaga ao Senado. Segundo o Código Eleitoral, o candidato que omite bens à Justiça está sujeito a perda do mandato.

O teor dos documentos da conta Key West foi obtido com exclusividade pelo Correio. A Polícia Federal e o Ministério Público já solicitaram toda a papelada do MTB à CPI. Aberta no ano passado na Câmara e no Senado para apurar as remessas irregulares para o exterior, a CPI encerra suas atividades no dia 15 de dezembro.

De acordo com os documentos, o senador tem como sócio na conta Key West seu filho Rodrigo Suassuna. A farta documentação é formada por cerca de 50 extratos bancários e outros 50 documentos que esmiuçam a conta. Os extratos indicam, por exemplo, que a conta no Delta Bank recebeu três depósitos de US$ 1 milhão, cada um por intermédio da rede de doleiros. Há também no meio da papelada uma correspondência de Suassuna ao Delta Miami. Nesse documento, o senador pede que o nome da conta, batizada inicialmente de Nero (iniciais de Ney e de Rodrigo), seja mudado para a Key West. A assinatura do Suassuna aparece em toda essa papelada. No meio dos documentos surgem também várias transferências de dinheiro do Colégio Anglo-Americano, de propriedade do senador no Rio, para a conta no Delta Miami Bank.

As contas ônibus


Seguindo a premissa do mundo da lavagem de dinheiro de que o dinheiro sujo tem de rodar em várias contas (apelidadas de ônibus) antes de chegar a seu destino final, o senador utilizava uma rede laranjas e de doleiros uruguaios com conta na agência do Banestado para enviar toda a dinheirama até Miami. Inicialmente, os laranjas e os doleiros se encarregavam de transportar os dólares até as contas abertas por doleiros na agência do Banestado em Nova York. De lá, a grana seguia para as contas de doleiros no MTB Bank ou para as contas do escritório de lavagem de dinheiro Beacon Hill no Chase Manhattan Bank.

Localizado no centro nervoso de Manhattan, o escritório da Beacon Hill, que motivou a prisão de doleiros brasileiros durante a Operação Farol da Colina, da Polícia Federal, foi fechado no ano passado pelas autoridades norte-americanas. Os doleiros do MTB Bank e da Beacon Hill recebiam a missão de levar todo o dinheiro até o destino final: a conta Key West.

Segundo os extratos de transferências bancárias, o senador se utilizava também das contas de doleiros para trazer de volta para o país todo o dinheiro depositado na conta de Miami por meio das chamadas operações cabo. Quando precisava de dinheiro, Suassuna transferia o dinheiro da Key West para a uma conta de um doleiro qualquer nos EUA, que lhe entregava os dólares em espécie no Brasil. No dia 8 de dezembro de 1998, por exemplo, o senador transferiu de sua conta em Nova York US$ 140 mil para a conta da General Star, uma offshore de doleiros uruguaios. Como era de costume, o senador não teve nenhum problema para pegar os dólares no Rio.

Problemas na base


Movimentações como essas comprometem a estratégia do governo e do relator da CPI, José Mentor, de excluir do relatório final da CPI o nome de políticos da lista de pessoas que enviaram recursos ilegais para o exterior. O governo pretende, com a medida, evitar uma nova crise no Congresso, especialmente com o PMDB, que ameaça abandonar a aliança com o PT.

Em função disso, até terça-feira Mentor não tinha oficializado na CPI um montante de 32 caixas marrons cheias de documentos que detalham as contas de brasileiros no exterior. Desse montante, seis caixas reúnem exclusivamente as contas de cerca de 100 brasileiros no Delta Miami Bank. Os documentos da conta de Suassuna estão na caixa número um. Todo esse material, entregue pelo promotor de Nova York Robert Morgenthal a um assessor de José Mentor, está jogado no chamado cofre da CPI, que nada mais é do que uma sala de cinco metros quadrados. Esse local secreto é chamado de labirinto porque para se chegar até ele é necessário antes se passar por três portas trancadas a chave.

No início da semana, chegaram à CPI requerimentos da Polícia Federal e do Ministério Público solicitando toda essa papelada, que finalmente pode sair do porões do Senado para fundamentar as investigações da PF e do Ministério Público. Ironicamente, antes da abertura da CPI, Suassuna presidiu as sessões da Comissão Fiscaliza Controle da Câmara do Senado em que procuradores da República e policiais federais explicaram aos senadores os mecanismos de remessa irregulares de recursos para o exterior por intermédio do Banestado.